sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Amar é um risco

Amar é sempre um risco.
Um risco gostoso que devemos seguir.
Podemos nos arrepender, mas é para isso que devemos viver.
Viver para amar.
Para se dar, se querer,
Ver o Sol brilhar e chorar
Chorar de emoção por estar viva.
Afinal, nem sempre amar e viver são sinônimos de sofrer.
Se querer bem já é um progresso
Um passo raso largo vaso
Ando pelo mundo, ando a te procurar
Será que algum dia hei de encontrar, você?
oh minha alma querida!
Seja bem-vinda
Venha de onde vier.
Te querer me faz bem.
Me faz querer continuar
Voar, amar, brincar.
Brincar de ser feliz sem medo.
Medo de escuro não tenho mais
Assim como a lua de dia se desfaz.
E o sol aquece a manhã fria.
E você aquece meu corpo frio.
E tudo é magia.
É mágica, é música.
Música aos meus ouvidos.

Agosto/2001

Medo da noite

Medo da noite, medo do dia
De te amar em vão.
De me machucar, de te perder.
Eu quero você, meu anjinho sem asas.
Criança travessa, que me deixou às avessas.
Reaprendendo a sonhar, a voar, imaginar...
Quem sabe um dia até a amar?
Amo o dia e amo a noite.
Mas deles tenho medo.
Não se assuste minha criança,
a vida é má, mas eu estou aqui.
Com você, entende?
Não se preocupe.
Não minta, não sofra, não me iluda.
Me ame ou não.
Anjinho carinhoso, continue sempre assim formoso.
Continue sempre assim, só para mim.

Agosto, 2001.


Aquela de quando se teve esperança.

Saudade

Te amo?
Não, eu não me engano.
Mas gamo.
Ganhamos mais do que perdemos.
E então, lembremos do que é bom.
Não sei se te quero de fato.
Se é só boato, malícia, ciúmes, saudade.
Mas a verdade é que não te esqueço.
E eu sei que mereço algo bom.
Você veio na hora certa.
Mas de maneira errada, rápida.
Me assustou, ainda estou assustada.
Só espero que quando a verdade vier à tona,
não seja tarde demais...
E você não me queiras mais (ainda quer?)
Será que vou ser sua mulher?
Só quero um brinde qualquer,
um vício qualquer num dia qualquer,
E se a saudade vier,
e solução não tiver,
O que faço?
Esqueço o fato?
E sigo a fitar num horizonte sem mar, sem chão,sem ar,
e respirar não consigo.
Vivemos de brisa.
Até parece uma música.
A nossa música, nossa vida.
Nossa?

Junho, 2001

Minha criança linda

É só uma criança indefesa que precisa de cuidado.
E eu estou pronta para guarda-lo.
Mas a inocência é tanta, que a impede de me ver, 
de ver o meu cuidado, o meu carinho.

Não sei se me canso.
Não sei se me alegro.
Não sei o que fazer.
Não sei se me desespero.

É meio ' lolita' de trás pra frente.
Sei lá, é uma magia incessante, 
que corta, vibra, mas me faz bem.
Apesar de tudo, me faz bem.

É só um menino sem pretensões, sem futuro.
E eu, só uma menina, que não pretende ser o seu futuro.
Só  seu presente.

Maio, 2001.


E toda mudança estava por vir.




Incerteza

Ah que cheiro bom!
Um simples cheiro me faz suar frio, tremer, o coração dispara.
Só que esse cheiro é só recordação.
Está aqui dentro, somente aqui dentro.
Um cheiro sabor paixão.
Ilusão, saudade, medo.
É uma tristeza e uma alegria.
Um sorriso e uma vontade de chorar.
Dizem que recordar é viver.
Mas no fundo, acho que é morrer.
Não sei se morre eu, ou o amor.

É um cheiro doce mel.
É uma droga, um veneno que me mata aos poucos,
que me vicia, que me deixa doida, que arde por dentro.
Queima o coração.
Ele é tão lindo, mas está tão longe.
Seu cheiro eu não sinto mais.
Seu amor...
O que é isso mesmo?

Parece que foi ontem,
mas o tempo passou depressa demais.
Apagou qualquer possibilidade, qualquer vontade de voltar.
E ficar.

Esperança?
Sim.
Mas não sei se vale a pena.
Se vai durar para sempre, não sei.
Tempo, esperança, espera, intriga, delírio.
É só o que me resta.

Maio, 2001.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cheiro bom numa noite fria

Eu vi você voltando pra mim
Mas tudo não passou de um sonho, e eu acordei.
E despertei na triste realidade de uma manhã fria, 
comum a todas as outras.
Levantei, lavei o rosto, e até senti seu cheiro.
Seu corpo ainda estava ali comigo,
mas foi tudo ilusão.
Eu vivo aqui com essa esperança sinistra,
que me atormenta, que me faz ansiar por cada minuto ao seu lado.
Mesmo que seja em sonho.
Não sei se é loucura, amor ou paixão.
Não sei se é bom ou mau
Só sei que é assim.
O calor do seu corpo, o gosto do seu beijo,
seu cheiro bom, tudo isso eu sei de cor.
Parece que não querem me abandonar.
Ao contrário de você, que já não se lembra de mim.
Tão perto e tão longe,
Meu doce amor bandido.


Maio, 2001.



Menina

A menina ri, sorri, e brinca de namorar.
É apenas uma criança que escondida afaga sua boneca.
Quem é ela?
E no instante seguinte, chora.
Chora a dor do que chama amor.
Depois ela pula, dança, escreve, e volta a ser aquela criança que com suas amigas fingem o que não existe.
Ah, mas para elas é o que é.
E você sabe como é, não é?
Sonha acordada,
suspira apaixonada (e mal sabe o que é paixão) por alguém que não vem.
E quando surge no crepúsculo, o nervosismo surge também.
Algo sobe e desce.
Ela perde o ar, treme, soa, tontura, e cadê ele?
Já foi e ela nem viu, mas riu.
E ele?
Só anda por aí.

O tempo se foi e ele continua a andar por aí.
E aquela menina - não tão mais menina assim - que sonhou,
sorriu e chorou, agora lembra, e ri feliz.
Sem saber quem é ele agora, ou como está.
Mas ela também não sabe quem ela é, por onde anda.
Não sabe mais por quem deve rir ou chorar (não o tem).
Se é que ainda chora.
Por que, como chorar se não se pode rir depois?

Ela diz mentiras para si esma, jura que acredita,
e por um momento torna-se verdade,
que se desfaz como uma vela soprada.

As emoções são como cavalos selvagens.
Ela leu isso e riu.
Riu para não chorar.
Chorar da sua própria dor.
A dor que ela não quer mais.

Janeiro, 2001

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sinto muito

Sinto muito
Mas não é mais em você que eu penso.
Quando as nuvens chegam,
quando a tempestade vai...
Mas quando o coração aperta, é o seu nome que eu lembro.
Mas a ideia já é vaga.
Já não dói tanto.
A saudade vem e vai.
Não sei se é bom ou mau.
Só sei que é assim.
Ás vezes quero tudo de novo,
depois esqueço.

Março, 2001
Quando se perdeu a grande oportunidade.


Medo

Queria saber quem é ele.
Queria ter as respostas para as perguntas
que não mais ouso fazer.
Por medo, vergonha, sei lá.
Tudo é tão claro, tão certo, mas eu continuo aqui,
parada, como se já soubesse que ela vem.
E sem ação, fico a sua espera,
e quando a saudade chega
é como se o mundo perdesse o sentido
e tudo ficasse vazio.
O que fazer? Sentar e esperar?
Acho que não...
Mas o contrário pouco resolve.
Vejo tudo mudando por aí,
vejo-me perdendo o chão.
E nada posso fazer.

Fevereiro, 2001

Rosa melancólica

Sou como um poeta de séculos passados.
Idealizo a pessoa amada,
sofro e choro por ela.
Como uma rosa melancólica, vejo o tempo passar,
e o meu amor se afastar.
E enfim, ele se foi e doeu.

Mas agora, o poeta antigo ficou de lado.
E vejo um novo amanhecer se aproximar.
Sinto o cheiro de flores,
flores apaixonadas
Não sei bem se quem vem ficará
Mas de qualquer forma, faz-me ver e sentir a vida mais alegre,
mais viva.

Será que ele sabe quem eu sou?
Eu mal sei quem ele é.
E como o poeta, me vejo a apaixonar-me por uma figura de minha criação.
E talvez o final eu já conheça:
Descobrirei que a criação é o oposto da criatura.
E então, eu sofrerei e chorarei de novo.
Tudo se repetirá como uma roda d'água.
E mais uma vez o poeta tomará o lugar da moderninha.

Fevereiro,2001.



Rimas Banais

Amar, o que é?
Amor, amar
Amar o amor e também sentir for.
Dor e amor
Um calor que vem, e 
quando vai....ai!
Aí vem o frio, triste e cruel,
amorgo como fel.
'te amo', já não uso mais.
Alguém ainda usa?
Não sei o seu nome,
mas seu codinome...
Ah! Felicidade!
Que vem com a idade, 
não é assim que dizem?
Mas que idade é?
Que se danem todos!
Eu quero festa e bolo.
Com confete e serpentina.

Janeiro, 2001.

Bolero

Sou apenas mais um,
que chora, que sofre, que ri.
Ri e 'desri'.
O que sou? Nada
Apenas alguém

Palavras... não as tenho.
Mas também, para quê?
Não era isso o que eu queria?
E ria.
Mas agora, também não é o que eu quero?
E tolero
Ah, um bolero!
Para bailar cintilante por aí e ainda sorrir.

O que é agora?
Nada mais do que um cheiro, um beijo
Um gosto e um desgosto
Nada mais do que um posto.
Que agora jaz vazio,
e frio.

Janeiro,2001

*Publicada no jornal O Globo, revista Megazine no dia 13/08/2002.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem és tu?

Amiga, quem és tu?
Oh, menina  doce que ri para mim
E me faz esquecer dos problemas,
e me lembrar que o lema é ser feliz.
E o tema é 'felicidade'.

Ai que vontade de ser assim tão livre
Livre para poder sorrir e chorar sem me preocupar
Sem saber quem eu sou, quero ser como ela.
Não, não seria possível.
Ninguém é como ela.

E ela, só ela estava ali.
E me viu rindo e chorando
E me fez ser assim.
Perdoar sem nem brigar.

Quem és tu?
Oh, menina linda!
Não se esqueça, a vida está só no começo.
Com o tempo piora, ou melhora
A gente é que faz ser assim.

Mas eu nem sei quem é ela.
Será minha mãe? Ou serei eu a mãe dela?
Não! Talvez irmã! Prima quem sabe...

Quem és tu, que vem quando eu menos espero?
Tu, tu és a amiga
Bem-vinda,querida!

E sorri para mim,
e eu sorrio para ela.
Oh, como é bela...
Quem?
A amizade.

Delírio

O que é isso, senão paixão?
Que invade o coração e transborda-o de emoção.
Ah! Não é nada disso não!
É pura invenção!
Delírio!
Um doce delírio juvenil,
Ou pueril?
Inocente, demente, crente.
Crente que era gente e nem tinha os dentes da frente!
E ria, ria, e nada mais existia
Doce magia!
Que à todos contagia, mas a ele não seduzia
E então, findou-se a alegria.

Fevereiro,2001

Sorriso Tolo

Falsifico um sorriso
Ponho no rosto também um batom e um som.
E sonho um sonho
E assim vou vivendo, vou por ela, só com ela
És a amiga mais querida, mais amada, mais 'viva'.
E demos viva a ela, que é a mais graciosa e vaidosa.
Por ela eu vivo e sorrio.
O sorriso mais sincero.
Quem é ela que vem e vai,
que me faz rir, chorar e gostar?
Gostar cada vez mais.
Quem és tu, oh felicidade?
Qual o teu nome, oh amiga?
Que luz é essa?
Que som, que tom, que bom!
Quem és?
Música.

Janeiro, 2001

Segredos de Liquidificador

Como toda adolescente, eu pensava demais, amava demais, sonhava e sofria demais. Era muita dor para tão pouca gente. 
Um belo dia todos os pensamentos começaram a pular enlouquecidos para o papel.
E agora, para a web.
Quem quiser se aventurar, seja bem-vindo, mas preste muita atenção: efeitos colaterais são por conta do leitor. 
Sim, eu era (ou será que ainda sou?) muito boba. Sim, eu era apaixonada e nada apaixonante. Sim, aqui tem muita dor de corno, muitos versos tolos, muitas tentativas frustradas de me achar.
De achar o outro, de achar o que me movia, o que eu gostava, de entender as coisas ao meu redor. 
Tentativas de celebrar o que eu vivia.

Mas como já disse o Pessoa:
Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente ridículas.)

Seguirei a ordem em que aparecem no caderno onde estão originalmente registradas, com suas datas e locais registrados. Talvez haja diferença cronológica na ordem das postagens.
Senta que lá vem história!

Luisa, Novembro de 2013

Dedico esse blog à Tatiane Reis, que tanto me incentiva nessa vida.

E que conseguiu ver valor num texto de adolescente.